Domingo, 21 de Agosto de 2011

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«Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir. Os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?
Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejos a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, , entrar nas maiores peixeiradas, ,mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas!
É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou de coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso, primeiro aceitar. É preciso aceitar esta mágoa, esta moínha, que nos despedaça o coração e que nos moí mesmo e que nos dá cabo do juízo.
É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução.
Dizem-nos para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos distrairmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera, acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos, amigos, livros e copos, pagam-se depois em conduídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.»

Miguel Esteves Cardoso, Último Volume

9 comentários:

  1. nunca se esquece de quem se ama!

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  2. foi a vez que te vi a escrever melhor :)

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  3. Nunca se esquece sem duvida,e passe o tempo que passar....tem alturas que ainda doi ca no fundo da alma.
    Gostei,mas eu gosto sempre do M.E.C.

    beijinhos e abraços

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  4. Bonito texto..e parabens pelo blog que aqui têm

    aguardamos a vossa visita

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  5. Interrompo as minhas férias e a minha ausência, somente para te dar um enorme beijo e um apertado abraço!
    Estou aqui, como sempre estive para ti!

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  6. aceita-se e continua-se. nunca se esquece, deixa-se ficar lá, na memória, os bons momentos. é a lei da vida... força, mulher!

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  7. Sou só eu que não consigo ler o texto? Aparece-me em branco, com muita pena minha...

    Mas deixo-te um beijinho muito doce, e um abraço apertado.

    Libertya

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  8. Hum... ironicamente as palavras tem duplo sentido. À quem diga que não, mas esses andam enganos...
    Isto para te dizer que não entendendo a razão da tua dor, entendi a tua preocupação pelo sentimento.
    Por isso não te deixo um beijo, já aí tens uma colecção deles dos teus leitores, deixo antes um abraço, forte e sentido.

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  9. Oi
    Mente forte nunca esqueçe... :)

    Beijoka

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